quarta-feira, agosto 03, 2011

Petrobras investirá R$ 79 milhões em bolsas de estudo em 7 anos


Com parcerias com universidades, empresa desenvolve mão de obra para setor de petróleo; estatal prevê 6.000 contratações até 2014

As estudantes Juliana Okubo (esquerda), Letícia Bronzoni e Milena Rosa (direita), bolsistas da Petrobras, fazem curso de verão na Unesp


Durante o período de férias, um grupo de estudantes se destaca nos corredores vazios do campus de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Eles abriram mão do período de recesso acadêmico para inaugurar as salas de aula do Centro de Geociências Aplicadas ao Petróleo, batizado de UnesPetro, complexo que recebeu aporte de R$ 9 milhões da Petrobras. Entre os 98 alunos matriculados nos 24 cursos de verão realizados no centro, estão as estudantes de Geologia Milena Rosa, 24, Letícia Bronzoni, 22, e Juliana Okubo, 21. As colegas de classe têm um sonho em comum: trabalhar na Petrobras. Para elas, as aulas vão ajudá-las a se preparar para o próximo concurso, que será realizado em fevereiro e oferecerá 838 vagas.


A Unesp é uma das 26 instituições de ensino que possui parceria com a Petrobras para formação de profissionais na área de petróleo. De olho nas necessidades de expansão do setor, a estatal se voltou às universidades brasileiras para evitar um apagão de mão de obra. Entre 2010 e 2016, a empresa vai conceder 5.076 bolsas de estudo, um investimento de R$ 79 milhões.
Essa iniciativa deve ajudar a empresa a preencher os 6.000 postos de trabalho que pretende abrir até 2014. “Em 2007, começamos a discutir como formar pessoas para trabalhar na cadeia de petróleo e optamos pela criação de centros de excelência nas instituições de ensino”, afirma a gerente de desenvolvimento de recursos humanos da Petrobras, Mária Alves Fernandes.

Entre os alunos selecionados para participar dos cursos de verão no UnesPetro, há 18 bolsistas da Petrobras. Eles recebem auxílio financeiro para desenvolver pesquisas na área de petróleo em um período de 24 meses. As bolsas são voltadas para estudantes de ensino médio técnico, graduação, pós-graduação e para professores, com valores entre R$ 350 e R$ 2.278. A seleção é feita pelas instituições de ensino.

UnesPetro

Mas os investimentos da Petrobras em universidades não beneficiam apenas os alunos bolsistas. Os cursos de verão do UnesPetro, por exemplo, são abertos e gratuitos para estudantes de graduação e pós-graduação de qualquer universidade, que serão selecionados com base em seu currículo acadêmico. O último processo seletivo recebeu 590 inscrições.

A estudante Fernanda Zanon, da graduação em Geografia na Unesp, foi uma das selecionadas. Ela nunca teve contato com a área de petróleo e aproveitou o curso de verão para aprofundar seus conhecimentos no setor. “Vale à pena. É uma oportunidade para fazer uma especialização gratuita em um mercado promissor”, diz a estudante.

As inscrições para os cursos deste ano estão encerradas, mas a atividade deve ser oferecida novamente no ano que vem. O próximo curso da UnesPetro será exclusivamente para funcionários da Petrobras.

Segundo o professor Dimas Brito, coordenador do UnesPetro, a instituição estuda abrir cursos de especialização para profissionais. “Mas será em um momento futuro. Neste ano, ainda não.”

Pré-sal

A descoberta de reservas de petróleo na camada pré-sal, anunciada em 2007, requer uma especialização ainda maior no setor. Os estudantes que se formaram recentemente não tiveram conteúdos aprofundados sobre o pré-sal nos cursos de graduação. Os alunos do último ano de Geologia da Unesp, por exemplo, contam que a disciplina de Geologia do Petróleo não trazia informações sobre as reservas do pré-sal. “Era muito recente. Não deu tempo de incluir na grade curricular”, afirma Juliana. “Mas desde que começaram a falar do pré-sal, toda evento acadêmico tem palestra sobre isso”, completa Letícia.
A tendência é que a academia se atualize. “Os novos estudantes vão sair da universidade muito mais preparados para atender o setor de petróleo, assim como os que saem hoje estão mais preparados do que quem se formou há cinco anos”, afirma o professor Brito.

O curso de Geologia da Unesp, por exemplo, agora conta com uma coleção de rochas carbonáticas, similares as que formam a camada pré-sal. Os exemplares que servirão de modelo para os estudantes não vieram do pré-sal, mas de campos terrestres brasileiro.

As rochas do pré-sal ainda não chegaram à academia. Elas só podem ser retiradas através da perfuração de poços de exploração. “Essas amostras são consideradas estratégicas e estão guardadas a sete chaves pelas companhias petrolíferas”, diz o professor Brito.

Fonte: http://economia.ig.com.br/

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