domingo, setembro 18, 2011

Empresas chinesas preparam 'invasão' para chegar no pré-sal



A nova leva de recursos chineses no Brasil será destinada à cadeia petrolífera

De olho em encomendas que devem somar US$ 400 bilhões até 2020, empresas chinesas do setor de petróleo e gás preparam uma espécie de "invasão" ao Brasil. Pelo menos 20 fornecedores da cadeia de bens e serviços de petróleo desembarcam ainda em 2011 no Brasil, em busca da forte demanda oriunda, especialmente de projetos na camada pré-sal liderados na maior parte pela Petrobras. Depois de investir principalmente em telecomunicações e em equipamentos de construções rodoviárias, a nova leva de recursos chineses no Brasil será destinada à cadeia petrolífera, segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang."O Brasil é um mercado importantíssimo, e as empresas chinesas querem investir", afirma.

Inicialmente, essas companhias chegam abrindo representações por aqui. A perspectiva, segundo Tang, é que muitas delas passem a produzir no Brasil. "Os projetos têm cada vez maior índice de conteúdo nacional. Portanto, fabricar aqui no país vem se tornando um elemento importante", observa. Vai se instalar aqui, por exemplo, a Honghua, fabricante de sondas que recentemente ganhou contrato para fornecer dois equipamentos de perfuração terrestre para a Queiroz Galvão Óleo e Gás. Outra companhia que prepara a entrada no país é a CIMC Raffles, que já forneceu duas plataformas de perfuração para o grupo Schahin.

TEMOR
A indústria nacional não esconde o temor com a entrada de mais empresas chinesas. Para Bruno Musso, superintendente da Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo), a maior parte das companhias que estão chegando está simplesmente abrindo escritórios e vendendo produtos importados. "Temos a percepção de que eles estão chegando com mais força, mas sempre na linha exploratória. Inclusive trazendo trabalhadores chineses", afirma. Musso diz não ser contrário à chegada de empresas de outros países, desde que venham agregar à produção nacional. No ano passado, duas grandes petrolíferas chinesas desembarcaram no país.

A estatal Sinopec, maior companhia de petróleo do país asiático, adquiriu 40% do capital da Repsol Brasil. Já a Sinochem obteve, por US$ 3 bilhões, 40% de participação no campo de Peregrino, na bacia de Campos (litoral do Rio). A norueguesa Statoil é a outra sócia do bloco. Maior compradora de produtos brasileiros, a China tem interesse em investir também em transporte marítimo, cujas atividades dão apoio à atividade petrolífera. Perspectivas do segmento petroleiro e da entrada dos chineses serão discutidas no seminário Mare Forum, que será realizado nesta terça-feira (dia 13/09), no Rio de Janeiro.

Fonte: Folha de SP

sábado, setembro 17, 2011

Sérgio Gabrielli debate conteúdo nacional em Brasília


O crescimento do Rio é benéfico também para a cidade de São Paulo

Durante décadas, a cidade do Rio de Janeiro, viveu um esvaziamento – perdeu levas de empresas se setores de serviços, como finanças e publicidade, para outras capitais brasileiras. Em 2003, num levantamento feito pela consultoria Deloitte com 700 maiores empresas da cidade, só 16% dos executivos acreditavam que o investimento estrangeiro iria aumentar no Rio nos anos seguintes. O cenário começa a mudar com os investimentos na extração da camada pré-sal e o que a descoberta representa em termos de formação de cadeias de fornecedores dos mais variados segmentos da economia, como construção naval, siderurgia e não podemos esquecer a Copa e as Olimpíadas.

Guinada - Em recente entrevista, o diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractual, Celso Grisi, afirmou que, o Rio de Janeiro vive um momento de prosperidade muito forte, sobretudo com o pré-sal. Segundo Grisi, a Copa e as Olimpíadas ativarão a economia regional fortemente, mas depois passa, e o que vai ficar mesmo é a indústria petrolífera que vai se desenvolver com grande vigor na costa do Rio de Janeiro, e também vai atingir Santos que vive um boom imobiliário muito grande em função disso tudo.

Cooperação - De acordo com o diretor, o crescimento do Rio é benéfico também para a cidade de São Paulo, porque o Estado vive fortemente dos serviços do parque industrial. “É um momento que o Rio de Janeiro vai ampliar suas demandas à indústria paulista, trazendo muitas vantagens para a cidade”. Segundo Grisi, com a região Sul, Nordeste, as regiões agropecuárias e a costa brasileira com o pré-sal, deve trazer uma redução do PIB do Estado de São Paulo, mas isto não quer dizer que o PIB vai ficar menor, ao contrário vai continuar crescendo, mas é porque as outras áreas cresceram mais fortemente.

Comparação - Entre as grandes cidades brasileiras, o Rio é a que mais coloca dinheiro na ampliação da capacidade industrial e da infraestrutura, como nas obras de melhoria de acesso ao porto. Os investimentos desse tipo devem fechar 2011 em 26% do PIB municipal, índice bem superior aos 20% de São Paulo e 18% do Brasil. A arrecadação subiu para 30% entre 2008 e 2010, em comparação com 13% do Brasil. No ano passado, a renda média do carioca chegou a R$ 1,682 mensais e superou a do paulistano (R$ 1.667). Semana passada, uma reportagem da revista britânica The Economist registrou essa virada. “Pela primeira vez em décadas, a Cidade Maravilhosa parece atraente para negócios”.

Fonte: NN/ Rodrigo Leitão

Sérgio Gabrielli debate conteúdo nacional em Brasília



Segundo Gabrielli, a meta da Petrobras é crescer dos 5% da produção atual para 12% em 2015

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, participou em Brasília, do Seminário de Energia promovido pela bancada do PT na Câmara dos Deputados. Na ocasião, foram discutidas as perspectivas de expansão do conteúdo nacional e a mobilização da indústria nacional, conduzida pela Petrobras, para atender as necessidades do Plano de Negócios 2011-2015 da companhia.

“Trabalhamos os gargalos da identificação de recursos críticos, com a necessidade da formação de mão de obra para as cadeias de fornecedores. Trabalhamos com a montagem de mecanismos e financiamento para a cadeia de fornecedores, com a montagem de uma rede nacional de laboratórios nas universidades para enfrentar os problemas tecnológicos e a atração de empresas para virem atuar no Brasil, focando principalmente nas empresas de média competitividade”, detalhou Gabrielli.

Ao ser questionado sobre a participação da Petrobras na produção de etanol, Gabrielli disse que a companhia é atualmente a terceira maior produtora do Brasil. Segundo ele, a meta é crescer dos 5% da produção atual para 12% em 2015.

Sobre a proposta de aumento em 30% das alíquotas das empresas produtoras de petróleo para elevar a destinação de recursos aos estados não-produtores, Gabrielli disse que a retroatividade na mudança da participação especial sobre as concessões alteraria as condições de contratos existentes. “Se a proposta vigorar, a Petrobras será obrigada a entrar na justiça, pois ela viola o contrato perfeito e concluído”. Sobre a forma de distribuição dos royalties, explicou que para a Petrobras é indiferente. “A companhia paga os royalties que serão distribuídos da forma que o Congresso Nacional decidir”, concluiu.

Fonte: Agência Petrobras