segunda-feira, outubro 22, 2012

PRÉ-SAL - Extrair lucro o maior de todos os desafios

Empresas nacionais e estrangeiras investem em inovação para tirar petróleo das profundezas do mar e transformá-lo em combustível.
Como prospectar, tirar, transportar e transformar o petróleo do pré-sal em combustível? E como fazer tudo isso gastando menos e eliminando riscos de acidentes ambientais? Vinte e uma empresas grandes, pequenas e médias do setor de petróleo e gás estão pagando meio bilhão de reais para ter respostas a essas questões.

É o quanto estão aplicando no Parque Tecnológico do Rio de Janeiro para Montar seus centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na maior iniciativa do gênero no País. Instalado desde 2003 dentro do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, o Parque Tecnológico do Rio ocupa uma área de 350 mil metros quadrados e abriga, além das empresas, seis laboratórios e centros de pesquisa privados e públicos.

Celeiro de cientistas, professores, doutores e mestres, acolhe hoje cerca de mil profissionais e estima-se que, até 2014, contará com 5 mil. Eles estão trabalhando em temas como sísmica, captura de gás carbônico, engenharia naval e outros voltados para maximizar a produção e minimizar riscos no negócio da exploração de petróleo e gás.

A licitação dos terrenos foi rápida e estava esgotada em 2006, quando foi anunciada a descoberta do pré-sal. Tanto que a administração do parque, a cargo da Fundação Coppe, ligada à Coppe/ UFRJ - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia, está tirando do papel um plano de expansão.

Em uma área de 240 mil metros quadrados na Ilha do Bom Jesus, ao lado da Ilha do Fundão, em um local chamado Polo Verde, será construída a Torre da Inovação, um edifício no qual poderá ser instalada mais de uma centena de pequenas e médias empresas.

Interesse - A obra se justifica pelo forte interesse das empresas do setor. "Desde o começo da crise, em 2008, temos recebidos duas a três delegações internacionais. Por semana, dispostas a se instalar no parque", relata Alfredo Laufer, gerente de Articulações Corporativas da Fundação Coppe. "O que está sendo desenvolvido no parque é voltado para atender às necessidades do pré- sal", acrescenta ele.

Aumento de produção - Para o consultor Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), o que move os investimentos que as empresas estão fazendo em pesquisa é o aumento da produção, tendo em vista que o petróleo vem se mantendo na faixa de US$ 100 o barril. No entanto, isso tem que ser feito sem elevar os custos, já bastante altos, principalmente na fase de prospecção, e sem provocar acidentes.

Pires lembra que o acidente com a plataforma Deepwater, operada pela British Petroleum no Golfo do México, mostrou que o custo de um acidente como esse para as empresas pode ir muito além dos milhões de dólares gastos em reparos. Sem falar em danos à imagem, o que se reflete na rentabilidade das ações da companhia.

Para o consultor Adriano Pires, que já foi superintendente de Abastecimento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), além da necessidade de tornar a exploração viável e sustentável, a pesquisa deve responder a demandas da logística, uma vez que a região do pré-sal está a mais de 300 quilômetros da costa.

Outro forte motivador que atrai novos grupos ao local é a presença da Petrobrás. Espécie de "loja-âncora" do Parque Tecnológico do Rio, a estatal instalou ali seu principal centro de pesquisas, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), o mais moderno do País. A empresa exige que as operadoras destinem1% do valor de suas obrigações de participações especiais em pesquisa e desenvolvimento (P&D)no setor.

Regulamentadas pela ANP, as participações especiais são compensações financeiras devidas pelas concessionárias em caso de a atividade de exploração gerar grande volume de produção ou grande rentabilidade.

Campos maduros - A americana Halliburton está desde agosto de 2011 ocupando mais de 7 mil metros quadrados em três andares no parque, onde está instalando laboratórios especializados, área de testes e salas de treinamento e conferências. "O centro será capaz de prover soluções e serviços para implementar e acelerar a exploração em águas profundas, aumentando a produção dos campos maduros", afirmou Tim Probert, presidente da companhia.

Também instalaram seus centros no Parque Tecnológico do Rio as gigantes Schlumberger, especializada em prospecção geofísica; Baker Hughes, fornecedora de equipamentos, serviços e softwares; a FMC Technologies, especializada em soluções de exploração e produção submarinas; a fabricante de tubos de aço Tenaris Confab; a EMC Computer Systems Brasil, fabricante de equipamentos para armazenamento e análise de informações, e a alemã Siemens, que vai desenvolver pesquisas em várias áreas, como a de tecnologia em alto-mar e submarina.

Inovações nacionais - Entre as pequenas e médias empresas instaladas na Ilha do Fundão, algumas já estão tirando do papel suas inovações. A PAM Membranas é a primeira brasileira a fabricar membranas de microfiltração, tecnologia de ponta para o reuso da água. Já, a Oil Finder, empresa residente na incubadora de empresas da Coppe/UFRJ, lançou em junho o Global Seep Alert, um serviço de alerta eletrônico sobre áreas de exsudação - onde acontecem escapes naturais de óleo no fundo do mar. Seu objetivo é aumentar a eficiência na exploração de petróleo, reduzindo a área de investigação em mais de 50 vezes.

Há ainda iniciativas conjuntas em laboratórios consorciados, como o Lab Oceano, onde são realizados ensaios de modelos de estruturas e equipamentos usados na exploração em alto-mar em tanques gigantes; ou como o LabCog, onde são avaliadas tecnologias de recuperação do meio ambiente e desenvolvidas plataformas a partir de realidade virtual.

No Laboratório de Aplicação e Desenvolvimento em Instrumentação, Automação, Controle, Otimização e Logística (Lead), são reproduzidos ambientes de salas de controle e instrumentos para a avaliação das novas rotas tecnológicas na área de automação e controle de riscos, além de treinamento de profissionais em refinarias de petróleo.

O legado desses investimentos para a pesquisa nacional vai além dos produtos, sistemas e dados produzidos pelos laboratórios ali instalados. As instalações voltarão para a universidade, ao final do prazo do aluguel, cuja concessão estende-se por 20anos, renováveis por mais 20 anos.

Conteúdo nacional - O Parque Tecnológico do Rio está alinhado com a diretriz do governo de elevar o conteúdo nacional na produção de petróleo e gás. Alfredo Laufer, da Fundação Coppe, diz que, embora as empresas estrangeiras estejam a portando em peso com P&D no Brasil, até mesmo trazendo suas bases de pesquisa para o País, a indústria nacional tem que acompanhar o movimento no sentido de criar equipamentos que possam integrar a tecnologia desenvolvida nos centros de pesquisa. "Se anos a indústria não acompanhar esse progresso, vamos acabar tendo que importar equipamentos", afirma Laufer.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá ser um aliado importante do Parque Tecnológico, por meio de incentivos às empresas da cadeia de produção de petróleo e gás, com vistas à eliminação de gargalos tecnológicos, aumentando o conteúdo nacional. O banco lançou um programa específico para o fomento a inovações no setor de petróleo e gás. Segundo Helena Tenório Veiga de Almeida, chefe do Departamento de Avaliação, Inovação e Conhecimento (Deinco), da Área de Planejamento da instituição, os valores destinados ao programa ainda estão em definição. Entre as atividades que poderão ser apoiadas estão os projetos específicos à exploração no pré-sal centrados, por exemplo, na estrutura de tubulação, nas costuras dos tubos e nos sistemas de ancoragem das plataformas.

domingo, outubro 21, 2012

Cientistas de Salamanca analisam evolução climática no Atlântico brasileiro

Grupo de Geociências Oceânicas trabalha com a Universidade de São Paulo e com a companhia petroleira Petrobras na análise dos sedimentos de uma região rica em petróleo
 
Cientistas da Universidade de Salamanca, em colaboração com a Universidade de São Paulo e a companhia petroleira Petrobras, estão dispostos a iniciar uma pesquisa no fundo marinho do Oceano Atlântico da costa brasileira. O objetivo científico é analisar a evolução climática desta região nos últimos 100.000 anos, mas os dados obtidos também permitirão que se conheça melhor as características desta zona em que se encontrou uma das maiores reservas de petróleo do mundo, informação útil para futuras perfurações.
O Grupo de Geociências Oceânicas da Faculdade de Ciências da Universidade de Salamanca trabalha há anos com o Instituto Ocanográfico da Universidade de São Paulo, que, por sua vez, colabora com a companhia Petrobras, e agora surgiu a oportunidade de consolidar estas relações através de projetos conjuntos financiados pelas duas universidades. “Aproveitaremos o material da Petrobras para fazer reconstruções climáticas dos últimos 100.000 anos, com especial ênfase no Holoceno, isso é, nos últimos 10.000 anos aproximadamente, na Baía de Santos, região pouco explorada”, afirma em declarações a DiCYT José Abel Flores Villarejo, cientista do Departamento de Geologia da Universidade de Salamanca que lidera a iniciativa por parte da Espanha.
A razão pela qual até o momento não se estudou adequadamente esta região se deve ao fato de que os materiais que os cientistas poderiam encontrar no fundo marinho não são idôneos para estudar o clima através dos sedimentos, já que se encontram removidos. De fato, em uma campanha com o navio oceanográfico espanhol Hespérides, realizada em 1993, foram extraídos materiais, mas estes “não foram úteis”, afirma o cientista. A diferença agora é que, depois de muitas perfurações em busca de petróleo, a companhia Petrobras teve acesso a uma bacia que está inalterada, da qual os pesquisadores poderão extrair sedimentos não removidos. Tecnicamente estes sedimentos recuperados denominam-se “testemunhos” e nesta ocasião foram encontrados a 2.000 metros de profundidade.
Com base no convênio firmado entre as duas universidades “faremos uma reconstrução climática de alta resolução das costas brasileiras”, indica o cientista. Neste contexto, o termo “alta resolução” indica que será obtida uma grande quantidade de dados em relação ao espaço de tempo compreendido no estudo. O material já está a caminho e prevê-se a realização de análises de micropaleontologia e geoquímica isotópica, isso é, a pesquisa de fósseis microscópicos e da concentração de elementos químicos nas amostras. Graças a esta informação, os especialistas serão capazes de deduzir como era o clima em uma época determinada, já que entre os fósseis somente se encontram espécies que sobrevivem em certas condições.
“Estudaremos a variabilidade climática e nossas publicações farão uma reconstrução climática, apresentando como foi o clima ali e comparando-o com registros de gelo na Antártida e com testemunhos de outras pontos do planeta, inclusive do Atlântico oriental”, afirma José Abel Flores.
Petróleo abundante
Ademais, conhecer melhor os sedimentos marinhos albergados em grandes quantidades de petróleo é muito interessante para a Petrobras. “Uma das reservas de petróleo mais importantes do mundo está ali. Até pouco tempo somente se exploravam reservas superficiais, mas foram feitas perfurações mais profundas e nosso testemunho procede deste trabalho”, indica o pesquisador de Zamora.
A companhia está interessada em estudar “regiões potenciais de petróleo” e estas análises podem ser muito úteis. “Em algumas ocasiões somente podemos ver se estão presentes as condições adequadas para fazê-lo”, comenta José Abel Flores, isso é, se geologicamente um lugar é equivalente a outro em que já se encontrou o combustível.
O cientista destaca que a Petrobras possui seus próprios grupos de pesquisa e financia as universidades para ter pesquisadores que não só realizem explorações, mas também ciência básica. “Estudos do meio ambiente e do aquecimento global são realizados porque se sabe que em determinado momento lhes aportará benefícios”, assegura. Ainda que as técnicas utilizadas por todos os cientistas neste campo sejam parecidas, baseadas na micropalenteologia e geoquímica isotópica, até agora não se encontrou uma resolução muito alta nos estudos vinculados ao petróleo.
 

Indústrias naval e náutica do Rio vão abrir 13.500 vagas

Novos projetos nos estaleiros fluminenses terão oportunidades em diferentes funções

Rio – Das 15 mil oportunidades que serão criadas na Indústria Naval em todo o País até 2014, 6 mil postos vão surgir em estaleiros do Rio de Janeiro. Com mais 7.500 empregos previstos no segmento náutico no estado, o número total de chances no setor de construção de navios e de plataformas chega a 13.500 vagas.

Estimativas são do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) e da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro. “A Indústria Naval do Rio continua forte. Faz parte da vocação do estado, e novos contratos deverão ser fechados em breve”, diz a subsecretária estadual de Energia, Renata Cavalcanti.

Com a recuperação da Indústria Naval no início dos anos 2000, já foram gerados mais de 20 mil empregos no estado. Investimentos atuais incluem novos estaleiros, com destaque para o da companhia OSX, em Porto do Açu, e o de submarinos, em Itaguaí.

Estão previstos ainda novos contratos para construção de navios petroleiros, embarcações de apoio marítimo e plataformas. Esses projetos vão ampliar vagas em estaleiros como Eisa, Mauá, Brasfels, Aliança e Rio Nave.

Há oportunidades para engenheiros (navais, mecânicos, elétricos, de produção e de segurança), projetistas, caldeireiros, soldadores, pintores. No setor náutico, as chances são para laminador de fibra, carpinteiro, marceneiro, mecânico, pintor, eletricista e engenheiro naval. “No setor náutico, há ainda mão de obra artesanal, gerando mais empregos”, destaca Renata Cavalcanti.

FORMAÇÃO TÉCNICA IMEDIATA

SENAI-RJ

Tem diferentes cursos de capacitação e especialização, como ajustador mecânico, soldador e pintor industrial, em unidades de todo o Estado do Rio. Mais informações pelo telefone: 0800-023-1231.

FAETEC

Cursos técnicos em construção naval e máquinas navais e básico em caldeiraria, entre outros. Também tem unidades no Rio, Grande Rio e interior. Informações: (21) 2332-4085.

PETROCENTER

Cursos de logística, treinamento em segurança, operador de produção de petróleo, QSMS (qualidade, segurança, meio ambiente e saúde), entre outras áreas. No Rio e em Macaé. Informações: (21) 2518-2537 e 2516-0823 ou www.petrocenter.com.br .

IWC

Cursos para inspetores de dutos terrestres e de soldagem N1, entre outros. Informações: (21) 2270-0919 ou www.iwccursos.com.br.

Pré-sal deu fôlego às contratações

Gerente-geral da Petro Crew, empresa de recrutamento e seleção para as indústrias Offshore e Naval, Dafne Trindade diz que o momento é ideal para se especializar: “As contratações continuarão em alta, muito por conta do pré-sal. O importante é estar capacitado”.

Segundo ela, há carência em todas as funções da Indústria Naval. Dafne explica que o profissional também deve estar preparado para trabalhar fora do Município do Rio, em cidades como Macaé, Campos ou Angra dos Reis.

Aos 20 anos, Rodrigo Barbosa pesquisou o mercado e decidiu se especializar para conseguir emprego no setor. Antes de fazer faculdade, investiu em curso técnico de capacitação em Petróleo e Gás.

Hoje, trabalha com produção e montagem em um estaleiro e estuda Engenharia de Produção em faculdade particular. “Graças ao meu salário, posso pagar meus estudos. Mas só consegui emprego depois de fazer um curso técnico. Quando se é jovem e sem experiência, é difícil ser contratado”, observa.

Diretor de Operações da Sampling Planejamento, Fernando Quintella afirma que existe carência na formação de mão de obra qualificada em segmentos como Geologia, Meio Ambiente e Segurança do Trabalho, nos setores Naval, Offshore e de Construção Civil. “Soldador, mecânico, técnico de instrumentação, geólogo e biólogo são profissões visadas e concorridas”, analisa.

Fonte: O DIA (Aurélio Gimenez)