sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Na chefia da quinta petrolífera do mundo, Graça Foster é caso raro



Com fama de rígida e exigente, a engenheira química é o nome indicado para assumir o comando da Petrobras. Mulheres ainda são raras no comando de empresas e em altos cargos da política brasileira.
No Brasil e no mundo é grande a curiosidade em torno da engenheira Graça Foster, a primeira mulher a comandar a maior empresa do Brasil e a quinta maior no ranking mundial da indústria petrolífera.

A engenheira química Maria das Graças Silva Foster – nome completo da nova presidente da Petrobras – já está acostumada a cargos de chefia. Foster, que ocupa atualmente o posto de diretora de Gás e Energia da empresa, já comandou as subsidiárias Petroquisa e Petrobras Distribuidora. Entre 2003 e 2005, foi secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, indicada pela então ministra da pasta, a hoje presidente da República, Dilma Rousseff.

O anúncio oficial da sucessora de José Sérgio Gabrielli, que administrou a estatal desde 2005, virá no dia 9 de fevereiro, após reunião do conselho de administração. Mas se trata apenas de uma formalidade: o nome de Foster foi encaminhado pelo próprio presidente do conselho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Um mundo dos “bons e velhos garotos”

Foster dá continuidade à sua carreira num ambiente essencialmente masculino. Em nenhuma das grandes companhias petrolíferas da atualidade a última palavra é de uma mulher. Mas a competência feminina já é vista em conselhos diretores de gigantes como a norte-americana Chevron, a russa Gazprom e a francesa Total. Curiosamente, nas duas maiores chinesas do setor, PetroChina e Sinopec, não há mulheres em conselhos diretores.

Quando o consultor Ken Arnold, do grupo Worley Parsons – parceiro em projetos importantes da BP e ExxonMobil – entrou no setor, em 1964, não havia sequer mulheres formadas em engenharia. “Naqueles dias, as empresas eram administradas por engenheiros, que iam galgando posições. Há muitos casos ainda que seguem esse estilo.”

Em quase 50 anos, muita coisa mudou. “Nesse meio tempo, a liderança de muitas indústrias do petróleo passou das mãos de funcionários técnicos para uma mistura de áreas técnica e financeira – e nesse setor há uma grande representação feminina”, relata Arnold. “Mas ainda existem bolsões da mentalidade do ‘bom e velho garoto’ na indústria”, reconhece. Para o consultor norte-americano, no entanto, cada vez mais mulheres devem chegar ao topo.

Evolução à brasileira

O Brasil vê uma evolução na igualdade dos gêneros desde que Dilma assumiu o governo como primeira presidente da história do país. Com a chefe de Estado, outras profissionais ascenderam ao poder: nove dos 38 ministérios são administrados por mulheres. Na era Lula eram quatro, incluindo a atual presidente, ex-ministra da Casa Civil e de Minas e Energia.

Aos poucos, mulheres ganham território no cenário político brasileiro. De 1999 a 2000, não havia mulheres nos gabinetes ministeriais. Entre 2003 e 2006, elas representavam 10,7%, e entre 2007 a 2010, 14,8% – os homens continuam representando 85,2%. A mesma tendência é observada no Senado e na Câmara dos Deputados.

A presidente reforçou o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, criado em 2005 em parceria com a ONU Mulheres, com a intenção de valorizar e estimular a ascensão de mulheres a postos de poder e decisão. Empresas públicas que aderem ao programa e são fieis aos objetivos ganham um selo de reconhecimento. As adesões ainda são tímidas: das 122 que participaram até agora, 92 foram premiadas.

No mercado de trabalho, as estatísticas ainda mostram uma tendência do passado. O Anuário das Mulheres Brasileiras, organizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que a maioria das mulheres empregadas atualmente executa serviços domésticos (17%). Seguem-se os setores de comércio e reparação (16,8%) e o de educação, saúde e serviços sociais (16,7%).

O exemplo raro

No universo de 97,3 milhões de mulheres no Brasil – quatro milhões a mais que o total de homens –, são poucas ainda aquelas com um perfil semelhante ao de Graça Foster. A engenheira química, que percorreu 32 anos de carreira dentro da Petrobras, ganhou vários prêmios como executiva e apareceu no ranking das 50 mulheres em ascensão no universo de negócios em todo o mundo, segundo o jornal inglês Financial Times.

Com a fama de ser rígida e extremamente exigente, Foster vai comandar um orçamento de 224,7 bilhões de dólares previsto no Plano de Negócios da Petrobras para o período de 2011 a 2015. Ao que tudo indica, também será sob sua coordenação que a companhia empreenderá as explorações mais desafiadoras da camada Pré-Sal.

Fonte: Dw-World.De
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Carlos Albuquerque

Técnicos do Ibama sobrevoam bacia de Santos para avaliar vazamento


Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) farão nesta quarta-feira um sobrevoo na região da bacia de Santos para verificar a dimensão do vazamento de petróleo cru na área. De acordo com o Ibama, desde ontem especialistas foram enviados para acompanhar as operações de urgência feitas pela Petrobras em Macaé, no Rio de Janeiro.

O Ibama informou ainda que ontem, por volta das 11h40, foi notificado do incidente no Teste de Longa Duração (TLD) de Carioca Nordeste, na bacia de Santos, operado pelo FPSO (sigla em inglês para Unidade Flutuante de Produção, Armazenagem e Transferência).

Dados preliminares indicam que houve uma ruptura do equipamento chamado riser, que conecta a plataforma ao poço no fundo do mar, liberando 33 metros cúbicos de petróleo cru. Essa é a primeira análise feita pelos peritos.

Um plano de emergência, executado pela Petrobras, foi acionado para conter o vazamento por meio de duas embarcações de atendimento. De acordo com o Ibama, as atividades no local estão suspensas e a empresa só poderá retomar o trabalho depois de autorização do instituto. Segundo a Petrobras, o poço foi fechado automaticamente após o rompimento, com estimativa de vazamento de 160 barris. A empresa estima que o óleo derramado não alcançará a costa.

Ontem, a Petrobras informou que o vazamento em alto-mar foi contido. Segundo a companhia, por volta das 8h30, houve rompimento em uma coluna que transporta o petróleo até o navio-plataforma FPWSO Dynamic Producer, a 300 km da costa de São Paulo.

Fonte: Terra

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

54 navios em cinco anos


SC se firma como fornecedora de embarcações de apoio marítimo

Itajaí – No estaleiro Navship, pertencente ao grupo norte-americano ECO (Edison Chouest Offshore), o planejamento anual prevê a entrega de uma nova embarcação para serviços em alto mar a cada três meses, até 2017. No estaleiro da singapuriana Keppel Sigmarine, recém-chegada ao Estado, a meta é produzir até oito navios do mesmo segmento por ano. O fundo de investimentos P2 Brasil, formado pelas empresas Promon e Pátria, deve chegar este ano ao Estado, com recursos da ordem de US$ 138 milhões para a construção de um novo estaleiro, também voltado às embarcações e módulos que suportam as operações de extração de petróleo e gás no País. Com essas encomendas e investimentos, o setor de construção naval de Itajaí e Navegantes consolida, em 2012, sua posição na indústria nacional e internacional, como centro de referência nesse tipo de equipamento.

São embarcações com até 80 metros de comprimento, em média, responsáveis por transportar peças, suprimentos e funcionários para plataformas de petróleo e gás ou próprias para operações delicadas, como reboques de plataformas em alto mar, recolhimento de imensas âncoras, recolhimento de óleo em caso de acidente ambiental ou operações de instalação ou recolhimento de equipamentos em plataformas. Navios que contam, também, com muito mais tecnologia embarcada, o que tem exigido uma mão de obra cada dia mais qualificada. Nada dos simples cascos de aço ou de madeira, que há muito tempo fizeram surgir as primeiras empresas do setor.

As antigas carreiras de madeira, construídas pelos pioneiros, para colocar barcos de pesca na água barrenta do rio Itajaí-açu, também estão dando lugar a modernos sistemas de lançamento, galpões de alta tecnologia e até a diques flutuantes – uma espécie de barco capaz de levar outro barco para a água -, que até bem pouco tempo eram raros no Brasil e em Santa Catarina.

SC acompanha crescimento brasileiro

O executivo da ECO, Sérgio Bacci, diz que o bom momento e a consolidação da posição de Santa Catarina acompanha o crescimento da indústria naval brasileira e o desenvolvimento do setor de petróleo e gás, que vive uma verdadeira revolução, desde o anúncio da descoberta das reservas do Pré-Sal. “O governo tomou a decisão de investir nesse setor, a partir de 2003 e agora estão sendo colhidos os primeiros frutos”, comemora.

A unidade da ECO em Navegantes foi a primeira do grupo fora dos Estados Unidos. Uma aposta da empresa para abocanhar uma fatia do mercado de apoio marítimo, a partir de 2006. A empresa constrói as embarcações, que são operadas por outras empresas do grupo, como a Bram Offshore, para o cumprimento de contratos com as gigantes do setor de óleo e gás, como Petrobrás, OSX e Chevron.

Segundo Bacci, as chances de o estaleiro operar de outra forma, construindo para outras empresas, por exemplo, são remotas, devido ao número de contratos em curso e às boas perspectivas do setor. A unidade já conta com cerca de 1 mil colaboradores e desde outubro opera com um dique flutuante, buscando eficiência operacional para manter o ritmo de entrega das encomendas. “Temos uma programação até 2017 para produzir três embarcações de apoio marítimo por ano. 80% dos navios vão atender contratos com a Petrobrás”, acrescenta.

Fundo garante investimentos

O novo estaleiro da P2 Brasil contará com recursos do FMM (Fundo da Marinha Mercante). A prioridade, que coloca o projeto na fila para a liberação de recurso por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foi concedida na última reunião do Fundo, em novembro passado. Sabe-se que a fábrica será construída na margem direita do rio, no lado de Itajaí. A empresa, no entanto, ainda não anunciou quando pretende dar início às obras.

O FMM é um dos principais instrumentos de fomento à indústria naval e ganhou fôlego desde 2003, garantindo a revitalização do setor também em Santa Catarina. Segundo o Sinaval (Sindicato da Indústria da Construção Naval) o fundo injetou no setor, nos últimos cinco anos, uma média de R$ 1,8 bilhões por ano.

As prioridades de financiamentos concedidas nas últimas reuniões do FMM, tanto para embarcações quanto para construções e ampliações de estaleiros, montam R$ 8,5 bilhões. Serão 270 projetos de embarcações e 11 estaleiros. O Sul do País deve ficar com cerca de R$ 2,0 bilhões. Boa parte desses recursos será injetado nos estaleiros de Navegantes e Itajaí.

Pronto para exportar embarcações

O último balanço do Sinaval mostra que os pedidos em carteira do setor de construção naval em Itajaí e Navegantes somam mais de 54 embarcações de apoio marítimo e portuário. As entregas devem acontecer de agora até 2017. Só do estaleiro Detroit, outra multinacional instalada em Itajaí, com matriz no Chile, devem sair 33 navios. Do Navship serão mais 18. A Keppel Sigmarine prevê pelo menos 2 navios, em 2012, pois ainda está investindo na estrutura que adquiriu do grupo paulista TWB.S.A, em Navegantes, em 2010. O projeto da empresa é aplicar R$ 50 milhões em reformas e restruturação do estaleiro.

A empresa de Singapura fez em Santa Catarina seu segundo investimento no Brasil e o primeiro voltado às embarcações de apoio marítimo. Segundo um executivo da companhia, que não pode se identificar por causa de normas internas da empresa, a condição de cluster ou núcleo especializado favorece o Estado no mercado nacional. “Pelo perfil desses navios. São embarcações com maior valor agregado, que exigem mão de obra especializada”, comenta. Outro fator que beneficia os estaleiros catarinenses é o projeto da Petrobras para o setor de óleo e gás, que manterá aquecida a demanda pelas embarcações fabricadas por aqui. “Se a Petrobrás mantiver e efetivar seu projeto, de ter mais plataformas e mais barcos de apoio, o setor tem condições de demanda e deve se tornar referencia fora do País”, acrescenta.

No nível tecnológico atual e com a mão de obra qualificada que dispõe, o executivo da Keppel Sigmarine acredita que o Estado tem condições de enfrentar até eventuais solavancos mercadológicos. “No setor de construção de barcos de apoio, já há condições de disputar mercado lá fora, atendendo necessidades de outros mercados”, explica.

Fonte: ND Tijucas