terça-feira, outubro 11, 2011

UnB ajuda a identificar áreas com potencial petrolífero na camada pré-sal


Em três anos de pesquisa, a UnB já analisou sedimentos de 12 perfurações

A mais de mil quilômetros do litoral, a Universidade de Brasília (UnB) desenvolve pesquisa cujos resultados orientam a exploração de petróleo em alto-mar. Em parceria com a Petrobras, o Laboratório de Micropaleontologia do Instituto de Geociências estuda a idade das rochas perfuradas pela empresa na camada pré-sal das bacias de Campos (Rio de Janeiro), Santos (São Paulo), Alagoas e Sergipe.

A idade dos sedimentos encontrados no fundo do oceano, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, pode indicar a propensão da existência de reservatórios de petróleo. Saber a idade da pedra é estratégico porque direciona o trabalho de prospecção e economiza o gasto com perfuração em alto-mar. O hidrocarbureto tem sido encontrado sob rochas formadas há cerca de 125 milhões de anos, no período cretáceo inferior da era mesozoica da Terra.

A medição da idade das rochas é feita pelo Laboratório de Micropaleontologia por meio de fósseis calcários de ostracodes, crustáceos primitivos de menos de 1 milímetro ainda existentes na natureza (tanto em água doce quanto em água salgada). Os fósseis dos ostracodes ficam nos sedimentos analisados pela UnB, cujas amostras são enviadas pela Petrobras.

“Quanto mais precisa a identificação e diferenciação dos ostracodes, melhor será o grau de detalhamento e fatiamento das rochas”, explica o gerente de Bioestratigrafia e Paleoecologia do Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) da Petrobras, Oscar Strohschoen Junior.

Segundo ele, os ostracodes “são praticamente os únicos microfósseis” que permitem a datação relativa das rochas. De acordo com o coordenador do Laboratório de Micropaleontologia da UnB, Dermeval do Carmo, “os ostracodes parecem camarõezinhos minúsculos”, revestidos por uma microconcha de cada lado (valva).

Em três anos de pesquisa, a UnB já analisou sedimentos de 12 perfurações. Quinze pesquisadores trabalham atualmente no laboratório, desde estudantes de graduação até alunos de pós-doutorado, além de três professores do quadro da universidade. Desde 2008, a Petrobras destinou à UnB cerca de R$ 2 milhões para a contratação de pesquisadores, a compra de equipamentos de análise (como microscópios eletrônicos e computadores) e a assinatura de periódicos científicos internacionais especializados em paleontologia. Conforme previsto em lei, o patrocínio da Petrobras é regulado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A aproximação entre empresas e universidades é meta do governo em programas como o Ciência sem Fronteira. A avaliação no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é que a posição do Brasil no ranking global de inovação empresarial (47º lugar, segundo o The Global Innovationindex 2011) está muito aquém da produção científica (13º lugar, segundo o Institute for Scientific Information).

O coordenador do Laboratório de Micropaleontologia da UnB defende a parceria entre academia e empresa. “A universidade não trabalha para a indústria, trabalha com a indústria. Não é simplesmente uma relação de mercado, é uma ação promovida pelo governo em prol de ambas as partes. Promove condições de pesquisa nas instituições e promove inovação na indústria”.

Para Oscar Strohschoen, a parceria com as universidades “tem sido extremamente efetiva. Além dos excelentes resultados diretos produzidos pelos projetos, permite o desenvolvimento ou a formação de equipes atuantes em áreas com extrema carência de especialistas no Brasil”.

Segundo Dermeval do Carmo, que pesquisa ostracodes desde a década de 1990, a aproximação “deixa a indústria feliz porque tem respostas especiais para os problemas específicos, e deixa a universidade feliz porque ela tem recursos para desenvolver sua infraestrutura, para trazer professores com bons currículos”.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, outubro 10, 2011

Shell comprará petróleo que OGX produzirá em Campos


O preço fechado entre as duas companhias representa um desconto médio de 5,5 dólares em relação ao Brent

A OGX fechou com a Shell a venda de 1,2 milhão de barris de petróleo que será produzido a partir do campo de Waimea, na Bacia de Campos, informou a petroleira brasileira .

Com a chegada da sua primeira plataforma tipo FPSO, nesta quinta-feira, no Rio, a OGX começará a produzir petróleo entre novembro e dezembro e prevê uma média de produção de 33 a 40 mil barris diários em 2012, uma meta considerada conservadora.

"A celebração do contrato de comercialização de nosso primeiro óleo com uma major company como a Shell atesta não só a qualidade do petróleo descoberto pela OGX na Bacia de Campos, mas também a capacidade de execução das equipes de Exploração, Produção e Comercialização da Companhia", comentou o presidente do grupo EBX, Eike Batista, por meio de nota à imprensa.

Segundo comunicado ao mercado, o preço fechado entre as duas companhias representa um desconto médio de 5,5 dólares em relação ao Brent. O contrato de venda é dividido em dois carregamentos de 600 mil barris cada um.

A previsão é iniciar um teste de longa duração por cerca de cinco meses no campo de Waimea, com uma produção diária média de 15 mil a 20 mil barris por dia.

Depois, a expectativa é aumentar o volume, em abril ou maio, para 45 mil barris a 50 mil barris diários, com a interligação de mais dois poços produtores à plataforma, disse o diretor-geral da OGX, Paulo Mendonça, durante a Offshore Technology Conference Brasil (OTC Brasil 2011), que aconteceu esta semana no Rio.

"Isso que temos nenhuma empresa fez: iniciar produção em dois anos após a descoberta", afirmou o diretor-geral.

A meta da empresa de Eike Batista, apresentada ao mercado, é que a produção aumente para 165 mil barris diários em 2013; 730 mil barris em 2015; e 1,38 milhão em 2019.

A OGX e a Shell também assinaram acordo para buscar oportunidades em logística, compra e venda de petróleo, gás natural e desenvolvimento de novos negócios, segundo um comunicado divulgado ao mercado. A Shell já produz petróleo no Brasil a partir do campo Parque das Ostras, também na Bacia de Campos.

NOVAS DESCOBERTAS

A OGX, segundo Mendonça, alcançou 90 por cento de sucesso exploratório, um percentual três vezes superior ao da média mundial.

Dos 62 poços que perfurou, a empresa descobriu, segundo Mendonça, 21 campos: cinco na Bacia de Santos; 14 na Bacia de Santos e dois na Parnaíba, onde encontrou grandes jazidas de gás natural. "Muitos desses poços já são de delimitação (de reservas)", afirmou.

O diretor da OGX afirmou que está apenas na metade da campanha exploratória nas bacias de Campos e Santos. Nas bacias de Pará-Maranhão e Espírito Santo, lembrou, os trabalhos sequer começaram e na Parnaíba a empresa apenas desbravou 10 por cento do potencial da região.

"Não paramos, vamos continuar nossa campanha e novas descobertas certamente virão", disse. "Então devemos esperar novas descobertas e novos volumes de reservas", afirmou.

Depois de Waimea, a OGX deve desenvolver, na mesma região da bacia de Campos, a descoberta de Waikiki, que deve começar a produzir até 2013.

ANADARKO

Indagado sobre a possibilidade de adquirir os blocos exploratórios que a petroleira independente Anadarko colocou à venda no Brasil, Mendonça afirmou que está analisando e tem interesse.

Entre os ativos, a empresa americana possui concessões no pré-sal, de grande interesse para as petroleiras, mas com um inconveniente apontado por Mendonça: a possibilidade de haver reservas que se espalham e vazam para outras áreas além da concessão. "Vamos prestar atenção na possibilidade de unitização", afirmou.

O diretor também afirmou não haver necessidade de captações no momento, já que a empresa, segundo ele, tem caixa suficiente para executar sua ousada campanha exploratória. A expectativa é chegar ao final de 2013 com caixa de 1 bilhão a 1,5 bilhão de dólares.

Fonte: Reuters

Petrobras faz parceria em blocos na Tanzânia


Com a parceria, a Petrobras tem a possibilidade de agregar a expertise do sócio e reforça a crença no potencial da região

A Petrobras, por meio de sua subsidiária Petrobras Tanzania Ltd, passa a contar com um sócio na Tanzânia - a Shell Deepwater Tanzania BV. Foi aprovado pelas autoridades tanzanianas, em 16/09, o acordo de cessão de participação (Farm-Out Agreement) por meio do qual a Shell adquire 50% dos direitos dos blocos 5 e 6. Os blocos são localizados no offshore do país (Oceano Índico), com profundidade de água variando entre 600 e 3.000 metros. A Petrobras Tanzania, que contava, até então com 100% de participação em cada um dos blocos, segue como operadora de ambos após o acordo. A estatal TPDC Tanzanian Petroleum Development Corporation é a concessionária dos dois blocos.

Com a parceria, a Petrobras tem a possibilidade de agregar a expertise do sócio e reforça a crença no potencial da região, em uma área ainda considerada de fronteira exploratória.

Perfuração no bloco 5

Está sendo conduzida, desde o final de agosto, a perfuração do poço Zeta-1, no bloco 5, onde, com base na interpretação de sísmica 3D, foi possível identificar prospecto com potencial para descoberta de gás. Após a conclusão desta fase, prevista para o final do ano, será possível conhecer melhor o potencial do ativo. Em relação ao bloco 6, seguem os trabalhos de interpretação de sísmica 3D.

A Petrobras atua na Tanzânia desde 2004, quando foi assinado contrato com a TPDC relacionado ao bloco 5. Em 2006, houve assinatura de contrato relativo ao bloco 6.

A África está entre as prioridades de investimentos internacionais no Plano de Negócios da Petrobras. No continente, a Empresa já atua nas atividades de exploração e produção de petróleo em Angola, Benin, Gabão, Líbia, Namíbia e Nigéria, além da Tanzânia.

Fonte: Da Redação