domingo, julho 31, 2011

Por que a própria Petrobras diz que não dá para investir mais


Em entrevista a EXAME.com, presidente da estatal diz que o desafio, agora, é a capacidade de entrega dos projetos

Gabrielli, da Petrobras: não há exagero nas projeções de produção, segundo ele
São Paulo - A capacidade de a Petrobras investir bateu no teto. E não por causa de seu limite de endividamento, ou da falta de oferta de recursos. O problema, agora, é prático: esperar que os projetos em curso amadureçam, junto com os fornecedores brasileiros, de cuja capacidade o mercado desconfia.

“A revisão do plano de investimentos é uma questão de escala”, afirmou José Sergio Gabrielli em entrevista a EXAME.com, da qual também participou o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa. A empresa vai investir 224,7 bilhões de dólares entre 2011 e 2015, praticamente o mesmo do previsto no plano anterior. Os executivos também falaram do plano de desinvestimento de 13,6 bilhões de dólares. Leia, a seguir, os principais trechos da conversa:

EXAME.com - Alguns projetos da Petrobras sofreram forte pressão política. É possível dizer que a revisão do plano de investimentos é também o momento em que a empresa está colocando as coisas nos seus devidos lugares?
José Sergio Gabrielli – Não acho. A revisão é o resultado do amadurecimento que tivemos. Nos últimos oito anos, a Petrobras dobrou o volume de investimentos a cada dois anos. Por volta de 2002, a companhia investia 5 bilhões de dólares por ano. Nós investimos 70 bilhões de dólares há um ou dois anos. É um crescimento absolutamente extraordinário. Então, a revisão é uma questão de escala, de capacidade de entrega de projetos.

EXAME.com - Mas alguns dos projetos que estão sendo postergados, como a refinaria premium do Maranhão, geraram muita controvérsia...
Gabrielli – Se você pegar a demanda do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, nós temos, hoje, um déficit diário de 464.000 barris de derivados. Se você pegar o Sudeste, a demanda e a oferta são equilibradas. Por isso, o investimento nessas regiões precisa ser feito. Não tem jeito. O problema é que nós, agora, concluímos o processo de redesign desta refinaria para reduzir custos e padronizar o projeto. Teremos um projeto menos customizado. Isso atrasou o início da obra, para que tenhamos, na fase de execução, um projeto de menor custo.

EXAME.com - A Petrobras não está arcando com um custo extra para bancar o índice de nacionalização dos projetos, num momento em que a própria empresa admite que o maior risco é a capacidade de entrega dos fornecedores, sobretudo os nacionais?
Gabrielli – Vou contar uma história. Por volta de 2007, nós tínhamos apenas duas ou três sondas e estávamos desesperados. Os preços das sondas subiram e chegaram a 700.000 dólares por dia de aluguel. Nós tentamos contratar sondas e não conseguimos. Neste momento, vimos que era necessário criar capacidade adicional de construção de sondas, porque a Petrobras vai precisar de muitas daqui para frente. E isso fez com que avançássemos na questão da nacionalização. Segundo ponto: no mundo inteiro, o sistema de produção de plataformas flutuantes envolve a conversão de navios antigos em plataformas. Por isso, cada casco é diferente do outro. Nós vamos precisar de 30. Então, é possível revolucionar e construir cascos em série, por causa de nossa escala.

Gabrielli – Claro que tem atraso, por causa do processo de aprendizado. O primeiro navio encomendado ao estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, foi construído simultaneamente à instalação do estaleiro.

EXAME.com - A Petrobras está disposta a bancar o custo de aprendizado da indústria nacional?
Gabrielli – Sim, porque estrategicamente é melhor. Nós temos mais vantagens no longo prazo com isso. Não podemos ficar com a visão de curto prazo, de que é mais barato produzir fora, porque, no longo prazo, nós vamos ficar dependentes de outros países. E sabemos que vamos precisar de muitas encomendas.

EXAME.com - Então, a Petrobras aposta que, no futuro, esse custo vai se reverter em benefícios?
Gabrielli – Com certeza. Se não fosse isso, não teria sentido.
Almir Barbassa – Há outra questão que é a escala. Quando se encomendam sete sondas, o custo médio é plenamente competitivo. Elas saíram por 660 milhões de dólares cada, o que, convertido para a taxa diária de locação, deu 450.000 dólares. Isso é amplamente competitivo com qualquer empresa internacional. Então, não estamos pagando um preço maior.
Gabrielli – O problema da escala é fundamental. Nós contratamos grandes volumes; de batelada.

EXAME.com - O mercado acredita que a Petrobras está muito otimista quanto ao ritmo de crescimento da produção de petróleo no plano de investimentos. O senhor concorda?
Gabrielli – Olhando para trás, nos últimos 30 anos, a produção cresceu a uma taxa anual de 10%. Esse crescimento não foi linear, porque a gente só cresce quando descobre novas fronteiras de exploração ou uma nova tecnologia. Os campos novos são mais potentes. Vivemos hoje uma nova fronteira, que é o pré-sal.

EXAME.com - Mas ninguém vai extrair petróleo se não houver demanda. Haverá mercado para esse volume de produção?
Gabrielli – A demanda não será problema. Não temos nenhuma dúvida. Os campos já em operação, no mundo todo, declinam de produção naturalmente a uma taxa de 7% ao ano. Essa queda precisa ser reposta por uma produção nova. E só a demanda para repor essa queda já é maior do que nossa capacidade de atender.

EXAME.com - Que tipos de ativos poderão ser vendidos no plano de desinvestimento?
Gabrielli – Faz parte de qualquer farm-out [jargão da indústria petrolífera para a venda de concessões] vender participações em campos de produção e exploração.

EXAME.com - E qual é o perfil dos ativos que a Petrobras estuda vender?
Barbassa – Depende. Pode ser uma unidade pouco integrada à operação. Uma unidade isolada. Às vezes, uma unidade que não faz mais sentido para o portfólio. Algo que hoje já não integra o nosso core business, e que veio no meio de outra operação.

EXAME.com - Regiões nas quais vocês tiveram problemas, no passado, podem ser alvo de desinvestimento?
Gabrielli – Temos contratos muito estáveis hoje, se você está pensando na Bolívia, por exemplo. E mantivemos nossos planos para esse país.

EXAME.com - A Petrobras gosta muito da costa africana e do Golfo do México. Estas seriam regiões preservadas do desinvestimento?
Gabrielli – Nós atuamos em 27 países, e estamos olhando tudo. E nem tudo será desinvestimento operacional. Uma parte disso será desinvestimento financeiro.
Barbassa – Será uma revisão da nossa alocação de capital. Em vez de colocar dinheiro em uma garantia, por exemplo, eu posso usar outra ferramenta financeira e liberar esses recursos para investimento.

EXAME.com - Então, desses 13,6 bilhões de dólares, quanto virá de venda de ativos e quanto virá de revisão financeira?
Barbassa – Dá mais ou menos meio-a-meio.

EXAME.com - E qual é o prazo para a execução desse desinvestimento?
Gabrielli – Nós temos um prazo de dois anos para executar a maioria disso, pelo menos.

EXAME.com - A Petrobras vai fazer um anúncio oficial do programa de desinvestimento?
Gabrielli – Não necessariamente. Talvez nem seja preciso. A gente vai fazendo aos poucos e anunciando aos poucos.

Fonte: http://www.clickmacae.com.br/

sábado, julho 30, 2011

Petrobras - conheça o Plano de Negócios 2011-2015


O Plano de Negócios 2011-2015, da Petrobras, aprovado , foi elaborado em um contexto de crescente demanda mundial por petróleo. Com investimentos totalizando US$ 224,7 bilhões (R$ 389 bilhões), o Plano contempla um total de 688 projetos. Com a conclusão de diversos projetos já previstos no plano anterior, continuaremos dando ênfase no crescimento orgânico baseado no conhecimento que temos de nossas bacias de petróleo.

As descobertas de águas profundas no Brasil representam um terço de toda a descoberta de águas profundas no mundo. O Brasil é o país que mais cresceu fora da OPEP. Neste cenário, sabemos que nossos investimentos não podem ser pequenos. Assim, aumentamos a concentração dos investimentos no segmento de Exploração e Produção, cuja participação no total passou de 53% do Plano anterior para 57% no Plano atual. Dentro desse segmento, temos dois principais projetos: a inclusão da Cessão Onerosa e novos projetos de pré-sal, principalmente no campo de Lula.

Pela primeira vez, incluímos no Plano um programa de desinvestimento em um montante de US$ 13,6 bilhões, visando uma gestão mais flexível do caixa para viabilizar nossos investimentos. Buscando otimizar nosso portfólio, iremos implementar ações para aumentar a participação dos subfornecedores nacionais, apoiaremos o desenvolvimento de empresas nacionais inovadoras e também iremos agregar novos fornecedores.

Duas premissas serão mantidas no Plano: não haverá nova capitalização e os recursos adicionais necessários para o financiamento do Plano não contempla emissão de ações. Eles serão captados exclusivamente através da contratação de novas dívidas, junto às diversas fontes de financiamento a que temos acesso no Brasil e exterior. Desta forma, acreditamos que o Plano foi elaborado de maneira viável e saudável, e não irá diluir nossos acionistas atuais.

Nosso Plano prevê também um cenário positivo da economia brasileira, com crescimento vigoroso na demanda de derivados. Iremos intensificar nossas atividades no desenvolvimento da produção e esperamos duplicar nossas reservas provadas até 2020. Enxergamos hoje o crescimento do pré-sal como o principal vetor para o nosso crescimento no futuro. Nossa curva de produção continua fortemente ascendente em função do início da produção de campos maiores e mais produtivos.

Saímos da terra, fomos para as águas rasas e depois para as águas profundas. Para conquistar as novas fronteiras estabelecidas, prevemos o desenvolvimento de novas embarcações e equipamentos, com o recebimento de mais 24 sondas, além de novos barcos e plataformas.

Clique aqui e veja detalhes sobre o Plano de Negócios da Petrobras.

Fonte: http://www.clickmacae.com.br/

Empresas ingressam no mercado de petróleo


Criação da Redepetro e parceria entre Sebrae e Petrobras impulsionam e estimulam inserção na área

Um novo Rio Grande do Norte começa a eclodir. Capacitação, treinamento e acesso ao mercado e ao crédito, bem como a aplicação de tecnologias da informação, redes de cooperação e incubação das empresas são algumas das ações que beneficiam as cerca de 140 indústrias hoje cadastradas no Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo, criado pelo Ministério das Minas e Energias (MME), sob a coordenação da Petrobras. As empresas potiguares, localizadas em sua maioria na região Oeste do estado, estão presentes nas mais diversas áreas de atuação deste segmento e prospectam o desenvolvimento da região a médio e a longo prazo.

De acordo com o gestor do programa Petróleo e Gás e da Redepetro-RN, Edilton Cavalcanti, a parceria entre o Sebrae e a Petrobras visa trazer evolução às empresas do RN, para que elas adquiram condições de atender os requisitos técnicos de fornecimento dos grandes compradores, em especial a própria Petrobras. Em função dos bonsresultados alcançados, foi negociada a renovação deste convênio por mais três anos (até 2014).

"O foco do nosso trabalho é maximizar as oportunidades de inserção no mercado local. Várias de nossas empresas já atuam também em outros estados como Sergipe, Rio de Janeiro, Ceará e Bahia", afirmou Edilton Cavalcanti. "Nossas empresas estão sendo preparadas não só para atender as demandas locais, mas também para atender demandas emergentes como as que surgirão no estado de Pernambuco com a construção da refinaria, além de, futuramente, as demandas que surgirão com o pré-sal", completou.

A criação da Redepetro RN (que conta hoje com cerca de 93 associados) foi uma grande conquista do projeto. O seu principal foco é a geração de negócios pela articulação qualificada entre a demanda e a oferta das empresas do estado visando ganho de competitividade, gerando oportunidades de negócios e a ampliação da visibilidade das empresas locais, facilitando a comunicação e inter-relacionamento, e fomentando a capacitação e a inovação tecnológica na região.

Inserção

De acordo ,com Edilton, o resultado de todo esse esforço já começa a dar frutos, pois com o apoio do projeto as micro e pequenas empresas de petróleo e gás conseguiram maior inserção no mercado ganhando novos contratos e aumentando seu volume de faturamento, e com a criação da Redepetro RN, o setor ganhou uma representação (que antes não existia) ganhando poder de barganha devido a integração entre as empresas.

Um exemplo disso é a Eletromesa. Com 25 anos de existência, a empresa que começou como uma pequena oficina no conserto de motores elétricos é hoje uma fábrica no segmento de armários metálicos, além de painéis e chaves eletrônicas. O presidente da companhia, José Messias, afirmou que já têm obtido retorno financeiro ao se vincularem ao projeto e o enxerga como uma nova oportunidade de negócios. "A nossa estratégia é visar o mercado como um todo. Estamos investindo em uma máquina com braço robótico para inserção de componentes eletrônicos, tornando o processo automatizado. É um investimento ousado, que nos garantirá a evolução da nossa tecnologia bem como novos projetos no segmento", colocou o empresário.

Já o empresário Joaquim Carlos, presidente da Mafram, empresa com 13 anos de atuação, afirmou já ter projetos de expandir seus negócios além da fronteira estadual. "Já começamos adquirindo contrato no setor Petróleo e Gás, no estado do Espírito Santo. Desde 2006 que a nossa empresa obteve um crescimento considerável, tanto financeiro como estrutural", destacou o empresário. Recebendo a proposta do Sebrae para se envolver no projeto Petróleo e Gás, Joaquim entendeu como sendo mais uma porta para o desenvolvimento empresarial, pois como a fábrica estava focada no setor de Petróleo e Gás, o envolvimento foi uma boa oportunidade para adquirir conhecimentos na área.

Redepetro RN

A Redepetro RN é uma Organização em Rede, constituída de 63 empresas e oito instituições fornecedoras de bens e serviços para a cadeia produtiva de petróleo e gás no Rio Grande do Norte. A Redepetro RN foi instalada em agosto de 2008 em Mossoró. A governança da Rede é constituída de uma Secretaria Executiva e Quatro Grupos de Trabalho (Negócios, Capacitação, Financiamento e Infra-estrutura e QSMS), apoiada por um Comitê Gestor, no qual participam operadoras, grandes fornecedores, instituições de governo, instituições acadêmicas e outras entidades com interesses no setor petróleo e gás no Estado.

Fonte: http://www.clickmacae.com.br/