domingo, julho 26, 2009

Investidores descobrem operações de alta frequência

grande novidade em Wall Street é uma maneira que alguns operadores encontraram de manejar o mercado de ações, espiar ordens de compra e venda dos investidores e, segundo críticos, até mesmo manipular sutilmente o preço dos títulos. Ela é chamada de operação de alta frequência - e é subitamente uma das forças mais faladas e misteriosas dos mercados.
Computadores poderosos, alguns bem ao lado das máquinas que dirigem mercados como a Bolsa de Valores de Nova York, permitem que operadores de alta frequência transmitam milhões de ordens à velocidade da luz e, segundo seus detratores, ceifar bilhões à custa de todo mundo restante.
Esses sistemas são tão rápidos que podem passar a perna em e deixar para trás tanto investidores humanos quanto computadores. Após se desenvolverem nas sombras por anos, eles finalmente estão dando muito o que falar.
Quase todos em Wall Street se perguntam como fundos hedge e grandes bancos como Goldman Sachs estão ganhando tanto dinheiro logo após o quase colapso do sistema financeiro. A operação de alta frequência é uma das respostas.
E, neste mês, quando um ex-programador da Goldman Sachs foi acusado de roubar códigos secretos de computador (um programa que, segundo um promotor federal, poderia "manipular os mercados de forma injusta"), o mistério apenas se aprofundou. A Goldman reconhece que lucra com a negociação de alta frequência, mas nega que possui vantagem injusta.
No entanto, especialistas em alta frequência claramente têm alguma vantagem sobre os traders típicos, sem falar nos investidores comuns. A SEC, a comissão de valores mobiliários americana, afirma que está examinando certos aspectos da estratégia.
"É daí que está vindo todo o dinheiro", disse William H. Donaldson, antigo presidente do conselho e chefe-executivo da Bolsa de Valores de Nova York e hoje consultor de um grande fundo hedge. "Se um investidor individual não tem os meios de acompanhar esse ritmo, todos eles estão com uma desvantagem enorme."
Na maior parte da história de Wall Street, a negociação de títulos foi bem simples: compradores e vendedores se reuniam nos espaços de negociação e barganhavam até chegarem a um acordo. Então, em 1998, a SEC autorizou que transações eletrônicas competissem com mercados como a Bolsa de Valores de Nova York. A intenção era abrir o mercado para qualquer um com uma ideia na cabeça e um computador na mesa.
Mas com o surgimento de novos mercados, os computadores pessoais não têm conseguido competir com os existentes em Wall Street. Poderosos algoritmos - "algos", no jargão do setor - executam milhões de ordens por segundo e podem varrer dezenas de mercados públicos e privados simultaneamente. Eles podem detectar tendências antes de investidores piscarem, mudando suas ordens e estratégias em milissegundos.
Negociadores de alta frequência muitas vezes confundem outros investidores ao emitir e cancelar ordens quase simultaneamente. Brechas nas regras de mercado dão aos investidores de alta velocidade uma visão preliminar de como os outros estão negociando. E seus computadores podem essencialmente forçar investidores mais lentos a desistir de lucros - e então desaparecer antes de qualquer um saber que estiveram por ali.
Operadores de alta frequência também se beneficiam da competição entre várias permutas, que pagam valores pequenos frequentemente captados pelos operadores maiores e mais ativos - normalmente um quarto de centavo de dólar por título para quem chegar primeiro. Esses pequenos pagamentos, dispersos em milhões de títulos, ajudam os investidores de alta velocidade a lucrar através da simples negociação de um número enorme de papéis, mesmo comprando ou vendendo a uma perda modesta.
"Isso virou uma corrida armamentista tecnológica e o que separa vencedores de perdedores é a rapidez com que conseguem se mover", disse Joseph M. Mecane, da NYSE Euronext, que opera na Bolsa de Valores de Nova York. "Mercados precisam de liquidez e operadores de alta frequência fornecem oportunidades para outros investidores comprarem e venderem."
O aumento das operações de alta frequência ajuda a explicar por que a atividade nas bolsas americanas disparou. O volume médio diário de operações subiu 164% desde 2005, de acordo com dados da Bolsa de Nova York. Embora os números precisos sejam enganosos, as bolsas afirmam que agora poucos operadores de alta frequência correspondem a mais da metade de todas as operações.
Para entender esse mundo de alta velocidade, considere o que aconteceu quando operadores de baixa velocidade enfrentaram os robôs de alta frequência no início deste mês e acabaram entregando os espólios aos computadores da velocidade da luz.
Era 15 de julho e a Intel, a gigante dos chips de computador, havia anunciado ganhos robustos na noite anterior. Alguns investidores, detectando uma oportunidade, começaram a comprar títulos da empresa de semicondutores Broadcom. (Suas atividades foram descritas por um investidor de uma grande firma de Wall Street que falou sob condição de anonimato para proteger seu emprego.)
Os operadores lentos se depararam com um dilema: se comprassem um grande número de títulos de uma vez, revelariam sua estratégia e arriscariam elevar o preço da Broadcom.
Então, como é comum em Wall Street, eles dividiram suas ordens em dezenas de pequenos lotes, esperando cobrir seu rastro. Um segundo após a abertura dos mercados, as ações da Broadcom estavam sendo negociadas a US$ 26,20.
Os operadores lentos começaram a emitir ordens de compra. Mas ao invés de elas aparecerem para todos os vendedores potenciais ao mesmo tempo, algumas dessas ordens foram provavelmente direcionadas a alguns operadores de alta frequência em apenas 30 milissegundos - 0,03 segundo -, a "ordem relâmpago". Apesar da intenção dos mercados de garantir transparência apresentando ordens a todos simultaneamente, uma brecha nas regulações permite que bolsas como Nasdaq mostrem a operadores algumas ordens antes de todo mundo, a um custo.
Em menos de meio segundo, operadores de alta frequência descobriram uma informação valiosa: o apetite pela Broadcom estava aumentando. Seus computadores começaram a comprar os papéis da companhia e então revendê-los aos investidores mais lentos a preços maiores. O preço total da Broadcom começou a subir.
Logo, milhares de ordens começaram a inundar os mercados enquanto programas de alta frequência funcionavam a todo vapor. Autômatos começaram a emitir e cancelar ordens minúsculas em milissegundos para determinar quanto os operadores mais lentos estavam dispostos a pagar. Os computadores de alta frequência rapidamente determinaram que o limite máximo de alguns investidores era de US$ 26,40. O preço disparou para US$ 26,39 e programas de alta frequência começaram a oferta de venda de centenas de milhares de ações.
O resultado: investidores lentos pagaram US$ 1,4 milhão por cerca de 56 mil papéis, ou US$ 7,8 mil a mais do que se pudessem agir tão rápido quanto os operadores de alta frequência.
Multiplique essas operações por milhares de papéis por dia e os lucros serão substanciais. Operadores de alta frequência ganharam cerca de US$ 21 bilhões no ano passado, estima a firma de pesquisa Tabb Group.
"Você quer encorajar a inovação, você quer recompensar as companhias que investiram em tecnologia e ideias que tornam os mercados mais eficientes", disse Andrew M. Brooks, chefe de compra e venda de ações americanas do T. Rowe Price, fundo mútuo e companhia de investimento que costuma competir e usar técnicas de alta frequência.
"Mas estamos indo em direção a um mercado de duas camadas, com o pessoal da arbitragem de alta frequência e todo o resto. As pessoas querem saber que têm uma chance legítima de conseguir um acordo justo. Caso contrário, os mercados perdem sua integridade."

Fonte: www.terra.com.br

China tem mais de 1 bilhão de usuários de telefonia

O número de usuários de telefones na China passou de 1 bilhão em junho, impulsionado pelo lançamento de aparelhos celulares de terceira geração (3G), segundo dados do Ministério de Indústria e Informação Tecnológica divulgados neste sábado (local) pela agência oficial Xinhua.
A China ganhou 43,5 milhões de usuários de telefone durante o período de janeiro a junho, e o número total alcançou 1,025 bilhão.
Durante esse mesmo período, os usuários de telefonia fixa tiveram queda de quase dez milhões, enquanto os de celulares aumentaram em quase 54 milhões.
Neste ano, as três principais operadoras de telecomunicações da China - China Telecom, China Mobile e China Unicom - investiram mais de 80 milhões de iuanes (US$ 11,71 milhões) para melhorar a eficiência da rede 3G.

Fonte: www.terra.com.br

sábado, julho 25, 2009

Programa de alta tecnologia do exército dos EUA está sob risco

O exército dos Estados Unidos desenvolveu uma década atrás um plano que propunha nova abordagem quanto à guerra terrestre do futuro. Conhecido como Future Combat Systems (sistemas de combate do futuro), o projeto era uma ambiciosa tentativa de desenvolver redes de veículos de alta tecnologia, aviões não tripulados e sensores robotizados que agiriam como espiões de alvos inimigos nas linhas de frente.
"Queríamos implementar um programa realmente profundo, e determinar se era possível criar uma nova base conceitual para o exército", disse Joe Taylor Jr., um major-general reformado do exército norte-americano que participou dos estágios iniciais do programa. Mas é cada vez menos provável que esse futuro venha um dia a se concretizar.
O governo Obama começou a reduzir a escala do programa no mês passado e a dividi-lo em porções separadas, como parte de um esforço mais amplo para reformular os dispendiosos contratos de armas das forças armadas norte-americanas e adotar como foco de operações o combate a insurgências.
Como muitos outros sistemas militares, o esforço de modernização do exército terminou por ser avaliado pelos dirigentes do Departamento da Defesa como excessivamente vinculado à guerra convencional, em um período no qual as forças armadas norte-americanos precisam, na prática, colocar mais soldados em operação nas áreas de conflito, e dotá-los de equipamentos mais simples e capazes de resistir ao uso de explosivos detonados a distância e outras formas rudimentares de ataque.
O capacidade do governo Obama para promover uma alteração assim radical de prioridades será testada no Congresso em breve, como resultado da controvérsia sobre manter ou não em produção o sofisticado jato de caça F-22. O presidente Barack Obama recentemente ameaçou votar qualquer projeto orçamentário do Congresso que reserve dinheiro à produção do avião.
E as alterações no programa Future Combat Systems, cuja estimativa original de custos era da ordem dos US$ 160 bilhões, ilustram até que ponto o novo governo dos Estados Unidos já está comprometido para com um esforço de reforma nos gastos das forças armadas.
O secretário da Defesa, Robert Gates, recentemente cancelou a parte mais dispendiosa do programa: um contrato para a produção de novos veículos de combate, de valor total avaliado em US$ 87 bilhões.
O motivo alegado foi a possibilidade de que os novos veículos não fossem capazes de oferecer proteção contra explosivos instalados em estradas para emboscar comboios norte-americanos, uma forma de ataque que respondeu pelas mortes de muitos soldados norte-americanos no Iraque e no Afeganistão.
Gates também ordenou que o exército iniciasse uma renegociação de um contrato visto como incomumente lucrativo para a companhia de defesa que responde pelo contrato principal do programa Future Combat Systems, a Boeing. O contrato incluía uma cláusula que garantia à Boeing uma remuneração básica muito superior à usual em passados contratos do Departamento da Defesa. A empresa e a sua parceira no programa, a SAIC, lucrariam pelo menos US$ 2 bilhões antes de provar que os diferentes componentes do programa eram capazes de funcionar juntos de maneira efetiva.
A reconsideração do programa Future Combat Systems, um dos mais dispendiosos que o Departamento da Defesa tem em seus planos no momento, reflete a crescente pressão exercida sobre o exército dos Estados Unidos para que redirecione seus recursos, do planejamento para uma guerra convencional ao envolvimento em possíveis conflitos de duração mais longa mas intensidade mais baixa, por exemplo novas insurgências, no futuro.
Mais do que qualquer outra das forças armadas, o exército enfrenta severas dificuldades orçamentárias nos Estados Unidos. Recentemente, os efetivos da força foram elevados em 65 mil soldados, e é urgentemente necessário que os soldados desgastados pelo combate tenham mais tempo de repouso fora das zonas de operações. Isso significa que o exército conta com muito menos dinheiro do que a marinha e a força aérea, no que tange à modernização de seus sistemas de combate.
"Gates está claramente destinando à marinha e a força aérea norte-americanas o papel de liderança em futuros conflitos convencionais, e deseja que o exército se concentre mais em formar um contingente numericamente capaz de sustentar longas campanhas contra insurgentes", avalia James McAleese, um consultor militar de McLean, Virgínia.
A ideia de desenvolver os novos sistemas de combate para o exército surgiu depois que a invasão do Kuwait por Saddam Hussein, em 1990, expôs lacunas na capacidade de combate norte-americana. Os Estados Unidos transportaram por via aérea uma divisão de infantaria cuja missão seria ajudar a defender a Arábia Saudita, em caso de ataque iraquiano, mas os tanques de apoio a essa unidade tiveram de ser transportados por mar.
O exército chegou à conclusão de que era preciso criar uma opção intermediária - brigadas especiais, equipadas de veículos leves o suficiente para que pudessem ser transportados por via aérea a qualquer teatro de operações. Os líderes militares norte-americanos também avaliaram que ampliar a capacidade de detectar inimigos a longa distância poderia reduzir a necessidade de blindados pesados.
Mas para receber as informações angariadas por aeronaves sem pilotos, pequenos robôs e outros sensores que poderiam ser usadas na função de batedores, o exército precisava criar uma rede de transmissão de vídeos e dados que não tinha precedentes em qualquer instituição - o paralelo mais preciso seria o de uma rede de telefonia móvel mas sem as torres fixas de transmissão dos celulares.
E os oito veículos diferentes propostos como parte do programa requereriam formas imaginativas de propulsão combinando combustíveis fósseis e motores elétricos, a fim de acionar novos rádios capazes de transmitir volumes imensos de dados. Os veículos também seriam produzidos com blindagens leves, de materiais compostos, e teriam a capacidade de disparar projéteis que interceptariam mísseis lançados contra eles.
Mas a maior parte das tecnologias propostas para os novos sistemas ainda estava em estágio experimental. E os observadores mais céticos, dentro do exército, questionavam a capacidade de um veículo de apenas 19 toneladas para se equiparar ao poder de fogo de um tanque de 70 toneladas e ao mesmo tempo preservar a segurança de sua tripulação.
Quando os insurgentes começaram a destruir veículos e equipamentos do exército norte-americanos utilizando granadas propelidas por foguetes, no conflito em curso no Iraque, as forças armadas calcularam que os novos veículos teriam de contar com blindagem adicional. A elevação de peso projetada para esse fim conduziu os veículos à vizinhança das 30 toneladas, o que os tornaria menos fáceis de transportar e com isso solaparia um dos arrazoados básicos de todo o programa.
Os custos também dispararam. As estimativas de custo para fornecer os novos sistemas a um terço das brigadas do exército saltaram de US$ 92 bilhões para US$ 160 bilhões, e a entrega dos primeiros veículos, originalmente planejada para 2010, terminou adiada para 2015.
Gates se queixou em 2007 de que o exército não estava tomando providências suficientes para proteger os soldados contra o uso de explosivos por insurgentes, e decidiu promover a aquisição de milhares de Humvees e caminhões simples de transporte de tropas, todos eles blindados e dotados de estruturas em forma de V, capazes de dispersar a força das detonações.
Ele voltou a fazer críticas do mesmo tipo no segundo trimestre, com relação ao projeto do veículo principal do programa Future Combat Systems. O secretário afirmou que o projeto previa um assoalho plano e apenas 45 centímetros do chão, "e isso indica claramente que nada foi levado em conta", daquilo que os Estados Unidos aprenderam no Iraque e no Afeganistão. Em lugar de mudanças radicais de projeto para corrigir os problemas, "esse veículo foi todo remendado com Band-Aids".
A Boeing e a Saic, que já receberam US$ 1,3 bilhão pelo trabalho realizado no projeto até o momento, afirmaram que os veículos cumpriram todos os requisitos do exército, e que não pretendiam promover qualquer reformulação de seu projeto. Mas, tendo em vista o corte na remuneração que foi decretado pelo governo, elas também anunciaram esta semana a demissão de centenas de trabalhadores.
Sob ordens de Gates, o exército planeja uma reestruturação futura que promoveria concorrências, a preço fixo, para distribuir contratos relacionados a diversos dos componentes do projeto, cujo nome também será mudado.
Uma brigada de soldados já está testando os pequenos veículos aéreos sem pilotos, os sensores robotizados e um pequeno míssil lançado do solo que funcionará sob comando de uma versão rudimentar da rede. Gates aprovou os planos do exército para começar a distribuir esses componentes do programa a algumas poucas brigadas, a partir de 2011, e de "expandir" essas inovações ao restante da força até 2015.
Mas embora o exército acredita que seja possível reformular os veículos de maneira que satisfaça as preocupações quanto à segurança dos soldados, analistas militares duvidam que as verbas disponíveis venham a permitir que mais de um ou dois modelos de veículo sejam adquiridos. Assim, o novo veículo deve ser essencialmente um substituto para o envelhecido Bradley, um veículo de combate para a infantaria mecanizada.
Dados os cortes, os dirigentes do exército estão considerando uma possível reforma e atualização dos tanques Abrams. Casey também está distribuindo um estudo oficial que diagnostica a necessidade de um exército mais versátil. Isso provavelmente significará a aquisição de mais algumas centenas de Strykers, veículos mais leves que poderiam ser usados em lugar dos novos tipos.
E um número menor de novos veículos significaria que a rede - ainda vista pelo exército como o cerne de suas futuras operações - seria muito menor e teria um desenvolvimento mais gradual. O tenente-general Stephen Speakes, um dos vice-chefes de Estado-Maior do exército, disse que a força conduziria os ajustes que Gates deseja, mas sem deixar de pressionar pela incorporação de novas tecnologias.
Mas alguns oficiais reformados de alta patente temem que o exército possa vir a se arrepender do abandono de seus planos mais ambiciosos de modernização caso se veja forçado a combater uma guerra mais convencional. "Se deixarmos passar sem uso toda uma geração desses equipamentos, eu me preocuparei muito com o futuro", disse o major-general David Fastabend, que se reformou em abril depois de fazer carreira como um dos principais estrategistas do exército.

Fonte: www.terra.com.br